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CANÇÃO DO EXÍLIO E A DIVERSIDADE DE PARÓDIAS
CANÇÃO DO EXÍLIO E A DIVERSIDADE DE PARÓDIAS

 

 

CANÇÃO DO EXÍLIO

                                                                 GONÇALVES DIAS

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras

Onde canta o Sabiá.




CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA

                                                          de Oswald de Andrade


Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá


Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra


Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá


Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo




CANÇÃO DO EXÍLIO

                                                             Murilo Mendes


Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturanos de Veneza.

Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda

Eu morro sufocado

em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

MENDES, Murilo. Poemas. In: -. Poesias (1925-

-1955). Rio de Janeiro. J. Olympio. 1959.p.5.